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Samurai
O sonho do candelabro era ser espada. Poderia até ser uma daquelas ridículas imitações de espada japonesa O que a ele interessava era, sendo metal, na forja ter ganho objetivo e finalidade mais nobres
Passou de mão em mão, entrou e saiu de moda, tornou-se vintage até Iluminou Natais, encontros românticos, acumulou pó dentro de armários, azinhavrou, voltou ao centro da sala de jantar, entristeceu-se, esqueceu
Albertina, que sonhava muitas coisas, um mês após o divórcio se viu obrigada a trocar a primeira lâmpada de sua vida A pequena escada de alumínio rangeu, tremeu sob o peso de anos de lamúrias, se desgostou, soltou um pino e desarmou-se
Sem filhos ou alguém por si, a senhora do 206, como era conhecida, foi encontrada uma semana depois, estatelada sobre a mesa de mogno A causa foi hemorragia interna, e o exato objeto de óbito uma ridícula ponteira de candelabro em forma de espiga de milho
Escrito por rdionisio às 18h20
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