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Vebro intransitivo
Ele encontrou uma menina que era uma flor Mas nunca entendeu bem o que ela encontrou nele Ela achou alguém para ouvir, e principalmente falar Apesar de sempre não achar bem tanta graça assim em si que justificasse tanta atenção E tudo nela era tão perfeito e tão especial Que ele lembrou de coisas esquecidas, de outras, algumas, nem nunca lembradas E ela chamava ele de coisas fofas, e ele até aprendeu a gostar do termo fofo E ele acreditava que os olhos dela eram mais felizes agora que quando a encontrou E por mais que tivesse batalhado para achar o que não gostava nela, não conseguiu Porque ela fazia caras e gestos e ele ficava mais e mais encantado Pois ela se irritava e brigava por coisas bobas, e às vezes não entendia as piadas dele O que o fazia rir mais ainda Porque ele se achava muito esperto, e ela deixava, sabendo quem na verdade era o sabido dali Coisas que ele achava que estavam perdidas se encontravam nela, e ela fingia descobrir novos mundos em pedaços da pele dele E foi tanta saudade, tanto encontro, tanta distância que parecia que, mesmo perfeito, nunca nada daria certo E foi, e é, e eles estão ainda aí, felizes, há mais tempo do que qualquer um apostaria É possível vê-los em bares, em ruas, em cidades frias distantes É possível saber deles por amigos que não são em comum, mas nunca o tanto que sabem um do outro, dois grandes amigos, os melhores Não dá para conjugar o verbo no futuro, além de abril, nem eles sabem desses planos ao certo Mas têm certeza de uma coisa, foi, é e será, num espaço de mundo que talvez só pertença aos dois, quem sabe?
Escrito por rdionisio às 16h25
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Noite de verão
Subiu as escadas meio correndo, chegou esbaforido Por alguns instantes tentou sentir o cheiro dela, antes de virar o último lance Encontrou o lugar vazio, e um bilhete, jogado no chão “Não me procure mais, isto não faz sentido Você sabe tão bem quanto eu que não há futuro, que está errado, não vai levar a nada Carregue com você um beijo, minha lembrança e a saudade Que como você mesmo diz, o tempo cura, passa” Leu e releu e não soube bem se o que sentia era tristeza, vazio ou alívio Desceu os degraus de volta, cigarro entre os dedos, o bilhete amassado na palma da outra mão Contou cada passo e lembrou de todas as vezes nas quais percorreu aquele caminho Teve raiva, pensou no beijo, sentiu saudade E tentou imaginar qual seria o tamanho do tempo para esquecer, Que futuro distante traria algum tipo de cicatrização para aquela seqüela Não era a primeira, não seria a última Adoraria agora poder acuá-la, machucá-la, vê-la ao menos incomodada com tal comparação Abriu a porta, sem se preocupar, como antes, com os ruídos do outro lado, A soltou e, ainda contando, no segundo passo, ela atingiu o batente com um estrondo O barulho o acordou do sono profundo, suado e em sobressalto Olhou para o lado, ela dormia Deu um beijo nos seus cabelos, balbuciou algo em seu ouvido, ao que ela sorriu Virou de lado, dormiu de novo, ouvindo a chuva lá fora Com o barulho que só é possível agora.
Escrito por rdionisio às 23h39
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