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Caminho
Eu ando por ruas que já não me pertencem mais/ Foi o cheiro das frutas, das calçadas, dos amores/ Algo obsceno e abjeto cresce dentro de mim/ E das lembranças de infância só restou medo e pesar// O ar das coisas não me pertence mais, e essa sensação de sufocamento me faz acordar no meio da noite/ Despertar de sonhos de um passado que não se concretizou/ Ruminar, madrugada a dentro e o resto do dia o pesadelo auto-imposto do que nunca será/ Queria meu avô aqui...// Principal referência masculina deste filho sem pai, foi cedo demais/ E ainda teimo em achar que devo visitá-lo, apresentá-lo/ Ele, a última pessoa que me fez chorar de saudade, mas cuja campa no cemitério tenho medo de não ser mais capaz de encontrar// Ele, que eu queria ter, mas não ser/ O nordestino calado, sentado a mesa, olhar triste/ Ninguém nunca vai me convencer que não morreu de tristeza// Lá fora garoa, e essas ruas não me pertencem/ Na alegria e na doença, na saúde e na tristeza/ Eu não me pertenço mais.
+ Este texto foi escrito hoje pela manhã, no celular, e é transcrito em sua versão original, sem revisão.
Escrito por rdionisio às 11h47
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